segunda-feira, 18 de maio de 2009

“O Colorado já é líder”


Em manchete, o diário eletrônico globoesporte.com anunciava que o time misto do Inter vencia o Palmeiras no Gigante e chegara à liderança do Campeonato Brasileiro


O carro voava pelas ruas da Tijuca, pouco depois da meia-noite. Havia pouco, estivera no Maracanã com o Edinho e o Cláudio Olímpio, dois flamenguistas doentes e, como qualquer outro torcedor, vítimas de privação temporária dos sentidos. Nós, torcedores, somos assim mesmo, não há dúvida quanto ao fato. Afinal, qual lógica, que não a mágica, poderia explicar que os dois, aos gritos, pedissem a entrada do Obina e, ao primeiro erro do sósia do Eto’o, para logo em seguida mandarem ele tomar naquele lugar que para a maioria tem apenas uma única e exclusiva função? Pois foi o que ocorreu. Mas o que me chamou a atenção, verdadeiramente, foram os comentários do Gerson “Canhotinha de Ouro”, na Rádio Globo: “– Esse Índio, que heresia, alguém comparou com o Figueroa, esse Índio “num” joga nada... Esse Taison, esse moleque que dizem que é melhor que o Robinho, “num” joga nada. Esse “De Alessandro” (foi bem assim que ele demonstrou todo o seu conhecimento sobre futebol, pelo menos sobre o nosso), esse “De Alessandro” (repetiu, buscando inspiração), esse “De Alessandro” eu vi aqui, ninguém me contou, ele passou correndo aqui defronte da cabine da Rádio Globo, esse “De Alessandro corre nos calcanhar” (assim, assassinando a língua de Camões), esse argentino não joga nada!”, vociferou.


O tempo de reação dos flamenguistas (que a momentânea “perca” dos sentidos acaba pouco depois que homem de preto diz que, lamentavelmente, todos temos que ir para casa que amanhã é outro dia e que aquilo tudo é só um jogo de futebol!) me deixou um pouco mais tranqüilo: “o Gerson bebeu”, disseram, quase em uníssono. E eu poderia dizer “não, ele “fumou”, cerrrto?”


Mas o fato é que o empate sem gols contra o Mengo em pleno Maraca servira apenas para continuar a fazer o mundo pensar que não “éramos tudo aquilo” que o Lédio Carmona e o Alex Escobar haviam anunciado e que um único sábio ousara discordar, porque é dado a sofrer arroubos de profeta – como se isso não fosse atributo exclusivamente meu, pelo menos aqui neste espaço -, o Wanderley Luxemburgo. Naquele meio de semana, pela Copa do Brasil, para registro histórico, o Tricolor das Laranjeiras perdera para o Coringão pelo placar mínimo, no Pacaembú, o Vasco, amargando a Série B, havia feito o placar mais ilusório de todos, como os fatos mostrariam na semana seguinte, um 4 a 0 sobre o Vitória e o Coxa arrancara um empate em dois gols com a Ponte, em Campinas.


A segunda rodada do Brasileirão iniciara no sábado com uma derrota amarga do Tricolor para um Celso Roth, que após o jogo, mostrou-se mais inflado do que o Fausto Silva (aliás, todos sabem que a diferença entre o Fausto Silva e o Gugu Liberato redonda, digo, redunda, exatamente, em dois quilos e um terno Armani de 10 mil dólares!). Àquela altura do campeonato, o ex-treinador do Grêmio preferido da torcida do Inter, engordava o Galo, vingador das Alterosas. O mais discutido no jogo foi a “forma de tratamento dispensado pelo Senene” que, segundo o Souza, estava sendo grosseiro e rude com os jogadores. Nem o pênalti cometido pelo Joílson, que reconheceu que a bola tocou no seu cotovelo, aos 47 minutos do segundo tempo e que o Diego Tardelli converteu, deixando o Vitor de joelhos, causou tanta grita do co-irmão quanto à descortesia e má-educação do apitador. A FIFA iria “ser comunicada dos fatos”, disse o presidente Duda Kroeff, e nós ficaríamos sem saber o resultado do imbróglio. O São Paulo, num jogo cheio de erros de arbitragem em que um deles foi o pênalti sonegado em Marcinho, conquistava o seu primeiro ponto no campeonato ao empatar em 2 com o Atlético Paranaense, em pleno Morumbi. O Coxa, poupando-se para o jogo da volta contra a Ponte, tomou de quatro do poderoso Santo André, no mítico Alto da Glória. O Fogão empatou com o Fofômeno, no Engenhão. O Fluminense repetiu o time da estrela solitária e apenas empatou com o Barueri. O Cruzeiro tomou dois do Náutico, no mesmo Aflitos em que goleamos o Timbú por três a zero, semanas antes. No clássico nordestino, o Vitória foi melhor, venceu o Leão da Ilha, ferido em sua estima pela eliminação na Libertadores por São Marcos, dias antes, e dividia, com idêntica campanha, a liderança do campeonato. O Peixe empatara com o Goiás que também dividia com o Coxa, surpreendentemente, o melhor e o pior ataque do campeonato (saldo zero para seis gols marcados e sofridos).


Mas voltando ao Luxa, o fato era que o nosso efêmero ex-lateral esquerdo já não gozava mais da simpatia da nação colorada. Em entrevista à Rádio Gaúcha, pela manhã, Luxemburgo dissera que o Inter precisava ganhar o Brasileirão ou outra coisa para ser reconhecido como favorito no jogo e no campeonato. E emendou: “não é ganhando torneio de segunda-linha como a Sul-Americana que vai fazer do Inter o melhor time do Brasil”. Para que todos saibam, o sistema de monitoramento que montamos no mundo inteiro nos permite adicionar estes pequenos elementos à preleção de antes dos jogos, uma espécie de doping positivo junto ao estado anímico da rapaziada. (Blogpé: o monitoramento é possível a partir de convênio estabelecido com a NASA, que gentilmente nos disponibilizou seu sistema de satélites, pois como todos sabem o Obama é colorado já que a avó queniana dele andava por aqui, no início do século passado, e ajudou os Poppe a fundarem o Inter).


Então, o Taison jogou, inventou outro drible, muito parecido com o La Boba, fazendo Pierre perder o avião no dia seguinte, pois teve que ir até a rua Coronel Vicente, no centro de Porto Alegre, atrás de uma agulha para poder tocar o LP do Waldick Soriano (grande palmeirense) que ganhou na lombar, entre L5 e S1. O Glaydson furou em bola, digo, deixou ela passar e o Danny Moraes emendou rasteiro, rasante, sem chance para o Marcos, treinado pelo avô do algoz, Valdir de Moraes, que ao final do jogo disse estar “feliz e insatisfeito” com o feito do neto. Ou coisa que o valha.


Jogamos aquela partida com quatro titulares e um banco de reservas que tinha Michel Alves, Giuliano, Guiñazu, D’Alessandro, Nilmar, Kleber e Sorondo. Os “titulares” que começaram: Lauro (que seria vendido logo em seguida, pois naquela partida olheiros ingleses, assombrados, viram ele estufar o peito e bloquear uma bomba à queima-roupa de Keirrison, aos 47 do segundo tempo, salvando o gol de empate e permitindo um contra-ataque que se traduziria em gol de D’Alessandro, enlouquecendo a torcida para o jogo da volta da Copa do Brasil, na quarta-feira, ali mesmo naquele campo sagrado), Danilo, Bolívar, Danny Moraes e Marcelo Cordeiro; Glaydson, Sandro, Andrezinho e Rosinei; Taison e Alecsandro.


A torcida saiu às ruas, feliz da vida, divertindo-se com o comentário de nosso eterno presidente, Fernando Carvalho: - o final de semana foi emocionante para os secadores: uns, ontem, comemoraram gol aos 47 minutos do segundo tempo (referindo-se ao Galo vingador que sangrou o Tricolor, no finalzinho); outros, hoje, não tiveram a mesma sorte (referindo-se ao milagre de Lauro e à decepção dos gremistas). O globoesportes.com estampou, no próprio domingo: Colorado JÁ É líder.


Edinho e Cláudio Olímpio disseram que viriam ao Gigante, junto com a nação rubro-negra. Não levava muita fé no que diziam, mas eles acreditavam em Obina e Zé Roberto, que haviam sido respaldados pelo Cuca, no calorento vestiário do Maracanã, logo após o Mengão arrancar suado empate contra o valente Avaí, de Evando e Marquinhos. Adriano Imperador, recém chegado à Gávea, teve que apartar briga entre Juan e o Cuca na manhã daquela segunda-feira. Aldemiro Dantas, que na semana anterior, depois do gol antológico do Nilmar dissera que o Inter ia “levar o cacete” no Maracanã calçou as sandálias da humildade e mandou mensagem em que dizia que era bom os colorados irem comemorando a liderança conquistada frente ao Porco, porque na quarta-feira, no Gigante da Beira-Rio, o Mengão iria “arrancar” a classificação de qualquer maneira.


Enquanto isso, Tite e Cleber Xavier quebravam a cabeça para montar o time a partir das ausências de Índio e Magrão. Três dias antes do jogo, havia apenas 3.300 ingressos disponíveis para o jogo que valia vaga na semifinal da Copa do Brasil. A torcida, como faria outras vezes ao longo do ano, levaria o time nas costas e, daquela feita, as travas das chuteiras não ficariam marcadas na areia, mas arrancariam leivas do melhor gramado do país.


2 comentários:

  1. A enpáfia rubro negra vêm da distante década de 80 quando,realmente, o Flamengo tinha um time que jogava por música. A soma de um torcedor cego de razão com um time instável como o Flamengo é tudo acabar para eles num buteco qualquer tentando entender a desclassificação.
    Joao Munari

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  2. Parabéns ao colorado, mas o Flamengo caiu de pé, em um duelo de gigantes que sacudiu o Beira-Rio e o Brasil.

    Maior que a empáfia dos rubro-negros, só a da segunda maior torcida do Brasil: os anti-rubro-negros...

    Gabriel

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